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Precisamos falar sobre estereótipos culturais - e como evitá-los




Sabe como a gente se irrita quando um personagem brasileiro em série americana fala espanhol em vez de português? Ou quando o Brasil é retratado como uma selva, um paraíso pra onde os bandidos da trama querem fugir, ou até um deserto (alô, Velozes e Furiosos)?

Muitas vezes, a gente comete o mesmo erro com outras culturas, sem sequer perceber. Como a ideia de que britânicos são sempre pontuais e educados; já franceses são rudes e estão sempre fumando (oi, Emily em Paris), etc


Considerar um povo educado e pontual até parece positivo, mas isso vem do imperialismo: os britânicos invadiram cerca de 90% do planeta. Isso é ligado ao nosso “complexo de vira-lata”, a ideia (errada) de achar que o que vem da gringa é melhor do que o que é produzido no Brasil.


A situação é pior ainda quando a gente olha para a forma como povos árabes, africanos e asiáticos são retratados. Associar mulçumanos com o terrorismo e chineses com a pandemia causou diversos ataques xenofóbicos e pessoas inocentes morreram por isso.


Dia 11 de março, a atriz Katie Leung, a Cho Chang de Harry Potter, revelou que sofreu diversos ataques racistas, como sites de ódio, e que foi instruída a apenas negar tudo e fingir que não aconteceu. Foi em 2005, mas não é muito diferente do que houve com a Kelly Marie Tran em 2018.


Rowling (cujos livros eu amava e nunca tinha notado nada disso quando mais nova) é um exemplo de tudo que você NÃO deve fazer ao criar personagens de outras culturas: Cho Chang, Seamus Finnigan, Padma e Parvati Patil são bidimensionais, só estão ali como acessório pro protagonista, sem arco próprio - e Cho nem é um nome próprio chinês. E quem conhece um pouco sobre a história da Irlanda vai entender porque é um problemático o único personagem irlandês ter uma tendência a acidentalmente causar explosões...


A questão dos estereótipos é um dos pontos que eu pesquisei muito pro meu livro e é um constante aprendizado, hoje em dia eu já teria sido muito mais crítica à representação das princesas não-brancas

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